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Atualizado em : domingo, 13 de julho de 2008

Reportagem de Capa elaborada pelo Jornal O Estado de São Paulo em 21 de maio de 2004, no caderno Estadão Leste - Fotos de Robson Fernandjes/AE com Reportagem e entrevistas de Cristina Ribeiro com o  Titulo :

Idosos recriam vida e família em abrigos

Casas de Repouso transformam-se em clínicas de atendimento total e abrem espaço para os pacientes remodelarem a rotina e formarem novos laços de amizade.

Na Doce Lar, ambiente tranqüilo e decoração que não lembra em nada hospital : terceira idade descobre "uma segunda família"

Felicidade e carinho reencontrados, no lar da terceira idade :
Casas de Repouso querem dar todos os cuidados aos idosos, para que retomem ou recriem vida social.

Cristina Ribeiro /AE 

Dar carinho, amor, atenção, além de oferecer todo aparato necessário aos idosos. É assim que o casal Rosimeire Aguiar de Souza e Fábio Alves da Costa resumem o trabalho deles, há cinco anos na Casa de Repouso Doce Lar. "Não é uma tarefa fácil. Requer muita dedicação e afinidade", diz Rosimeire. "É gratificante trabalhar com os idosos. Estou respeitado a mim mesmo , porque um dia também terei essa idade" diz Costa. 

Rosimeire conta que a idéia de abrir uma casa de repouso surgiu após ter feito estágios em outras casas como auxiliar de enfermagem. "Senti uma vontade de oferecer um local mais próximo possível do que considero ideal. Sem lembrar uma clínica médica ou um hospital.

A Doce Lar tem cômodos que remetem a uma casa normal. Há cozinha, uma sala de visitas com sofás, estante e televisão, quartos com camas individuais, quintal com área para fazer churrasco e uma mesa grade, onde todos fazem as refeições. " O ambiente é para deixar as pessoas à vontade, como se estivessem em casa", diz Rosimeire.

O local conta atualmente com 23 pessoas. A maioria está na casa porque as famílias não querem deixa-los sozinhos. Outros porque não tem filhos e existem até casos em que os parentes moram fora do País. Rosimeire diz que a casa eles tem horário para alimentação, higiene pessoal, cuidados médicos e contam com enfermeiros 24 horas.

Eles acordam cedo e, por volta das 7 horas, tomam café da manhã. O almoço é servido às 11h30. Segue-se o lanche da tarde ; jantar às 16h30 e o lanche da noite.

"Todos dormem cedo. Necessitam de cuidados especiais no dia a dia. Cada um tem uma história para cotar e a convivência entre eles é tão boa que acabam formando uma grande família. Realizamos festas de aniversários, festas juninas, amigo secreto e comemoramos datas festivas, como Dia das Mães, Dia dos Pais e Natal.

Localização da Doce Lar:

Rua Baltazar Nunes, 480 - Vila Carmosina - Trav. da Rua São Teodoro
Próximo ao Colégio novo da Polícia Militar -  São Paulo - Brasil

 

Fones : (11) 2217-9887/ 9718-5890 

Amizade - Segundo o Geriatra Osvaldo Perlato, que trabalha no local há três anos, as famílias ficam com o "coração apertado" ao deixar, por exemplo, um pai, um avô na casa de repouso. Mas a vida social não permite que eles tenham tempo para cuidar como se deve dos idosos. 

Há casos de pessoas com seqüelas de derrames cerebral; mal de Alzheimer e outras doenças crônicas degenerativas. "O idoso requer cuidados como não deixa-lo sozinho; ter uma dieta fracionada e balanceada; cuidados pessoais e de higiene ; prestar atenção no que ele mexe. Além disso, é preciso dar atenção e carinho, que são fundamentais", diz Perlato.

Ele ressalta que na terceira idade as pessoas não querem sentir-se dependentes. " O maior medo do idoso é dar trabalho para a família.

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Continuando Perlato diz : O Idoso nunca quer atrapalhar, ser um 'peso' na vida das pessoas. " A opção de uma casa de repouso serve para tornar a vida do idoso a melhor possível. " O convívio com outras pessoas da mesma idade acaba criando laços de amizade impressionantes. Eles se tratam com tanto carinho que acabam formando uma nova família."

Se sentir amado, respeitado e útil dá um novo impulso à vida deles. " É fundamental preservar a memória e a identidade dos idosos. Conversar com eles sobre assuntos que acham interessante. A inutilidade é que faz o idoso ficar restrito, sentir, sentir-se carente. Daí vem a depressão, a sensação do vazio. Ele tem de ter incentivo e atividades sociais e esportivas para se sentir útil", recomenda o geriatra.

O Geriatra Osvaldo Perlato : " Eles se tratam com tanto carinho que acabam formando uma nova família"


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Revisado em: 13 julho, 2008.

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